Que rremedio tomarei?
Frases sobre dor
93 frases sobre dor, tiradas de poemas de domínio público publicados neste site. Debaixo de cada uma está o poema de onde saiu.
o mal tam bem estimado, que em tanta desaventura me faz bem-aventurado.
Ledo em minha tristura, em meus descanssos canssado,
pois traguo a mim comiguo, tamanho imiguo de mim.
Que cabo espero, ou que fim deste cuidado que syguo?
E já vivi d'esperança E agora vivo de choro vivo.
Arranquem-me esta grandeza!
Quero dormir...ancorar...
Contra mi mesmo pelejo,
Sou estrêla ébria que perdeu os céus, Sereia louca que deixou o mar;
E cinzas, cinzas só, em vez do fogo…
Quero reunir-me e todo me dissipo - Luto, estrebucho... Em vão! Silvo pra além...
Que as penas do profundo Também, também se encontram cá no mundo.
O Ciúme (Bocage), de Manuel Maria Barbosa du BocageVerificada
Não se aquieta o coração no peito, Não cabe n′ele, e viva chama no intimo Das entranhas ardente me devora, Sem que eu possa atinar a causa, a origem.
Elegia á morte de uma alcoviteira, de Manuel Maria Barbosa du BocageVerificada
Por uma vez se foi a minha alegria, Nem a mesma já sou, que outr′ora hei sido!
Elegia á morte de uma alcoviteira, de Manuel Maria Barbosa du BocageVerificada
Que não pode cantar com melodia Um peito, de gemer cansado e rouco.
Chorosos versos meus desentoados, de Manuel Maria Barbosa du BocageVerificada
Chora o vento ao longe com a voz tão cava,
Tivemos ilusões, como ninguém, E tudo nos fugiu, tudo morreu!...
Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!
São assim ocos, rudes, os meus versos: Rimas perdidas, vendavais dispersos, Com que eu iludo os outros, com que minto!
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...
O frio que trago dentro gela e corta Tudo que é sonho e graça na mulher!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio, A mesma angústia funda, sem remédio, Andando atrás de mim, sem me largar!...
Sinto os passos da Dor, essa cadência Que é já tortura infinda, que é demência! Que é já vontade doida de gritar!
Aqueles que me têm muito amor Não sabem o que sinto e o que sou...
Sinto hoje a alma cheia de tristeza!
E as lágrimas que choro, branca e calma, Ninguém as vê brotar dentro da alma! Ninguém as vê cair dentro de mim!
E eu oiço a Noite imensa soluçar! E eu oiço soluçar a Noite escura!
Poentes de agonia trago-os eu Dentro de mim e tudo quanto é meu É um triste poente d’amargura!
A minha Dor não cabe Nos cem milhões de versos que eu fizera!...
Impossível (Florbela Espanca), de Florbela EspancaVerificada
Os meus males ninguém mos adivinha... A minha Dor não fala, anda sozinha...
Impossível (Florbela Espanca), de Florbela EspancaVerificada
Quando se sofre, o que se diz é vão...
Impossível (Florbela Espanca), de Florbela EspancaVerificada
Eu q’ria ser a pedra no caminho Que não sofre a tortura do pensar...
Eu q'ria ser o Mar ingente e forte..., de Florbela EspancaVerificada
Irmãos na Dor, os olhos rasos de água, Chorai comigo a minha imensa mágoa,
Este livro é de mágoas. Desgraçados Que no mundo passais, chorai ao lê-lo!
Sou a que chora sem saber porquê...
Eu q’ria ser a pedra que não pensa, A pedra do caminho, rude e forte!
Vale-te mais chorar, meu pobre amigo! Desabafa essa dor a sós comigo, E não rias assim!... O vento, chora!
Vivo sozinha em meu castelo: a Dor...
E não se apaga, não... nada se apaga!
Tortura do pensar! Triste lamento!
Gosto da Noite imensa, triste, preta, Como esta estranha e doida borboleta Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...
Toda esta noite o rouxinol chorou, Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Tudo o que eu sinto, sem poder dizer!
Screvo meu livro à beira-mágoa.
Screvo meu livro à beira-magoa..., de Fernando PessoaVerificada
Firme em minha tristeza, tal vivi.
Vivo louco de dor e de martírio.
Tantos naufragios, perdições, destróços!
Singra o navio. Sob a agua clara, de Camilo PessanhaVerificada
Divisa: um ai,—que insiste noite e dia Lembrando ruinas, sepulturas rasas...
Tatuagens complicadas do meu peito, de Camilo PessanhaVerificada
Porque entristeço assim?...
Não venhas mais ao lar. Não vagabundes mais. Alma da minha mãe... Não andes mais á neve, De noite a mendigar ás portas dos casaes.
Quem polluiu, quem rasgou os meus lençoes de linho, de Camilo PessanhaVerificada
Ó meu coração torna para traz D'onde vais a correr, desatinado?
Onde ides a correr, melancolias?
Passou o outono já, já torna o frio, de Camilo PessanhaVerificada
O inane, vil despojo Da alma egoista e fraca!
—Melhor fôra que ardesse, Nas trevas, incendiado.
O meu coração desce, Um balão apagado...
Coração, quietinho... quietinho... Porque te insurges e blasfemas?
—Extranha taça de venenos Meu coração sempre em revolta.
Foi um dia de inuteis agonias.
Cancei-me de tentar o teu segrêdo:
Tudo acabou... Anemonas, hidrângeas.
E eis quanto resta do idyllio acabado, de Camilo PessanhaVerificada
No dia em que enfim deixar de chorar...
Ao meu coração um peso de ferro, de Camilo PessanhaVerificada
O meu coração é o cofre selado.
Ao meu coração um peso de ferro, de Camilo PessanhaVerificada
As tuas mãos tão brancas d'anemia... Os teus olhos tão meigos de tristeza...
Não sei que dôr me invade.
Só, incessante, um som de flauta chora...
Quem sabe a dor que sem razão deplora?
Chorae arcadas Do violoncelo!
Á bela luz da vida, ampla, infinita, Só vê com tédio, em tudo quanto fita, A ilusão e o vasio universaes.
Sonetos (Antero de Quental, 1880)/Nirvana, de Antero de QuentalVerificada
Senti um monstro em mim nascer nessa hora, E achei-me de improviso feito féra...
Sonetos (Antero de Quental, 1880)/No circo, de Antero de QuentalVerificada
Fez-se noite de súbito, imerso O mundo em densa e algida neblina.
Sonetos (Antero de Quental, 1880)/Espiritualismo, de Antero de QuentalVerificada
A Duvida soprou sobre o Universo.
Sonetos (Antero de Quental, 1880)/Espiritualismo, de Antero de QuentalVerificada
Deixal-a ir, a ave, a quem roubaram Ninho e filhos e tudo, sem piedade... Que a leve o ar sem fim da soledade Onde as asas partidas a levaram...
Primaveras romanticas (1872)/Poesias diversas/Despondency, de Antero de QuentalVerificada
«Morto, enterrado em vida!» o meu tormento É isto só… do resto não me importo…
Odes modernas (1875)/Livro Segundo/Palavras d'um certo morto, de Antero de QuentalVerificada
A mesma humanidade é sempre a mesma enferma,
Odes modernas (1875)/Livro Segundo/A um crucifixo, de Antero de QuentalVerificada
Por que se sofre é que se espera... e tanto Que as dores são os nossos diademas.
Odes modernas (1875)/Livro Primeiro/Á Historia, de Antero de QuentalVerificada
O Inconsciente imortal, só me responde Um bramido, um queixume, e nada mais...
E tu entendes o meu mal sem nome, A febre de Ideal, que me consome,
Mas dentro encontro só, cheio de dor, Silêncio e escuridão - e nada mais!
Tanto estéril lutar, tanta agonia, E inúteis tantos ásperos tormentos...
É tudo, em torno a mim, dúvida e luto;
Reprimirei meu pranto!...
Das coisas, que procuram cegamente Na sua noite e dolorosamente Outra luz, outro fim só presentido...
Contemplação (Antero de Quental), de Antero de QuentalVerificada
Envolve-te em ti mesma, ó alma triste, Talvez sem esperança haja ventura!
Desesperança (Antero de Quental), de Antero de QuentalVerificada
Que seja sonho apenas a esperança, Enquanto a dor eternamente assiste. E só engano nunca a desventura!
Desesperança (Antero de Quental), de Antero de QuentalVerificada
Eu sempre bendirei esta tristeza!
Aspiração (Antero de Quental), de Antero de QuentalVerificada
Oh minh'alma, que creste na virtude! O que será velhice e desalento, Se isto se chama aurora e juventude?
Estreita é do prazer na vida a taça: Largo, como o oceano é largo e fundo, E como ele em venturas infecundo, O cális amargoso da desgraça.
D'um morto coração, que nada espera, Nem deseja tambem... bendita sejas!
Vi de que noite é feita a luz do dia!
Dá ao mártir do Louvre algumas flores; Dá pão ao seu lebreu.
O gavião, esse é outro; Vai ferido e vai voando; Mas não diz quem n'o feriu... Gavião, gavião branco!
Gavião, gavião branco Vai ferido e vai voando; Mas não diz quem n'o feriu, Gavião, gavião branco!