Há ingratos, mas os ingratos demitem-se, prendem-se, perseguem-se.
Quincas Borba (1891), capítulo CVerificada
As palavras para cada ocasião.
Uma frase sem fonte é um boato bem escrito. Metade do que circula em português atribuído a Pessoa, a Camões ou a Florbela Espanca nunca foi escrito por eles, e ninguém verifica porque verificar dá trabalho e copiar não dá nenhum.
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519 frases de autores de domínio público, todas conferidas contra o texto original.
Há ingratos, mas os ingratos demitem-se, prendem-se, perseguem-se.
Quincas Borba (1891), capítulo CVerificada
Não é que os óbolos enriqueçam a ninguém, mas há outras moedas de maior valia.
Quincas Borba (1891), capítulo CLIXVerificada
Não é só nas ações que a consciência passa gradualmente da novidade ao costume, e do temor à indiferença.
Quincas Borba (1891), capítulo CLXIIIVerificada
Coroa de espinhos, bofetadas, madeiro, e afinal morre-se na cruz das ideias, pregado pelos cravos da inveja, da calúnia e da ingratidão.
Quincas Borba (1891), capítulo CVerificada
Às vezes, o que parece desgraça é felicidade.
Quincas Borba (1891), capítulo CLXXVVerificada
Moléstia e saúde eram dois caroços do mesmo fruto, dois estados de Humanitas.
Quincas Borba (1891), capítulo VIIIVerificada
O desejo de saber tudo era, em resumo, a esperança de descobrir que não havia nada.
Quincas Borba (1891), capítulo CVerificada
Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
Quincas Borba (1891), capítulo VIVerificada
Não lhe bastava ser casada entre quatro paredes e algumas árvores; precisava do resto do mundo também.
Dom Casmurro (1899), capítulo CIIVerificada
A recordação de uns simples olhos basta para fixar outros que os recordem e se deleitem com a imaginação deles.
Dom Casmurro (1899), capítulo CVIIVerificada
A vida é tão bela que a mesma ideia da morte precisa de vir primeiro a ela, antes de se ver cumprida.
Dom Casmurro (1899), capítulo CXXXIIIVerificada
Há remorsos que não nascem de outro pecado, nem têm maior duração.
Dom Casmurro (1899), capítulo CXVIIIVerificada
A vida é cheia de obrigações que a gente cumpre, por mais vontade que tenha de as infringir deslavadamente.
Dom Casmurro (1899), capítulo LXVIVerificada
A vida era para mim a pior das fadigas, que é a fadiga sem trabalho.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo CLVIIVerificada
A onça mata o novilho porque o raciocínio da onça é que ela deve viver, e se o novilho é tenro tanto melhor: eis o estatuto universal.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo VIIVerificada
De um ou de outro modo, é uma boa solda a opinião, e tanto na ordem doméstica como na política.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo CXIIIVerificada
Há umas plantas que nascem e crescem depressa; outras são tardias e pecas.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo LIIIVerificada
A questão, porém, não é de pão, é de manteiga.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo XLVIVerificada
O melhor prólogo é o que contém menos coisas, ou o que as diz de um jeito obscuro e truncado.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo PrefácioVerificada
Não há moralista grego ou turco, cristão ou muçulmano, que não troveje contra o sentimento da inveja.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo CXVIIVerificada
A taxa da dor é como a moeda de Vespasiano; não cheira à origem, e tanto se colhe do mal como do bem.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo CLIIVerificada
Gregos, sub-gregos, anti-gregos, toda a longa série dos homens tem-se debruçado sobre o poço, para ver sair a verdade, que não está lá.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo CIXVerificada
Vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo CXLIVerificada
Não havia ali a atmosfera somente da águia e do beija-flor; havia também a da lesma e do sapo.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo XXXIVVerificada
O derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo LIVVerificada
Não havendo nada que perdure, é natural que a memória se esvaeça, porque ela não é uma planta aérea, precisa de chão.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo CXLIXVerificada
Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo XXVIIVerificada
Todos nós havemos de morrer; basta estarmos vivos.
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), capítulo VIVerificada
pois, onde quer que me vaa, tam çerta esta morte estaa, que com vosco matar-m'aa e sem vos nam viverei.
Senhora, onde me irei?
Que rremedio tomarei?
Olhe vossa merçe laa, se me tem, se me matou, porqu'eu vos juro, que caa, morto nem vivo nam vou.
Coitado, quem me daraa novas de mim hond'estou, pois dizeis que nam som laa e caa comigo nam vou.
Quanto escreve tem sal, siso e donaire.
Parnaso mariano (1890)/Notas/Francisco de Sá de Miranda, de Sá de MirandaVerificada
coitado, pera que ouvi, pois que vos nam posso ver.
o mal tam bem estimado, que em tanta desaventura me faz bem-aventurado.
a vida nam estaa segura,
Ledo em minha tristura, em meus descanssos canssado,
pois traguo a mim comiguo, tamanho imiguo de mim.
Que cabo espero, ou que fim deste cuidado que syguo?
Comiguo me desavym, vejo-m' em grande perigo, nam posso viver comigo, nem posso fogir de mim.
Os que mais sabem do mar fogem d' ouvir as sereias;
E já vivi d'esperança E agora vivo de choro vivo.
Antre tremor e desejo, Vã espernça e vã dor, Antre amor e desamor, Meu triste coração vejo.
Arranquem-me esta grandeza!
Quero dormir...ancorar...
-Ai que saüdades da morte...
Contra mi mesmo pelejo,
Antre temor e desejo vam esperança e vam dor; antre amor e desamor meu triste coraçam vejo.
Vivo em roxo e morro em som...
Que pesadelo tão bom...
Numa incerta melodia Tôda a minh'alma se esconde
Sou templo prestes a ruir sem deus, Estátua falsa ainda erguida no ar...
Sou estrêla ébria que perdeu os céus, Sereia louca que deixou o mar;
A vida corre sôbre mim em guerra, E nem sequer um arrepio de mêdo!
A tristeza de nunca sermos dois...
Vêm-me saüdades de ter sido Deus...
O que devemos é saltar na bruma, Correr no azul à busca da beleza.
E cinzas, cinzas só, em vez do fogo…
— Onde existo que não existo em mim?