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Poema

Escavação

Mário de Sá-Carneiro · Escavação

Numa ânsia de ter alguma cousa, Divago por mim mesmo a procurar, Desço-me todo, em vão, sem nada achar, E a minh'alma perdida não repousa. Nada tendo, decido-me a criar: Brando a espada: sou luz harmoniosa E chama genial que tudo ousa Unicamente à força de sonhar… Mas a vitória fulva esvai-se logo… E cinzas, cinzas só, em vez do fogo… — Onde existo que não existo em mim? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Um cemitério falso sem ossadas, Noites d'amor sem bocas esmagadas — Tudo outro espasmo que principio ou fim...

Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte

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Frases tiradas deste poema

Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.

— Onde existo que não existo em mim?

Escavação, de Mário de Sá-CarneiroVerificada

Postal

E cinzas, cinzas só, em vez do fogo…

Escavação, de Mário de Sá-CarneiroVerificada

Postal

Unicamente à força de sonhar…

Escavação, de Mário de Sá-CarneiroVerificada

Postal

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