Ditos

As palavras para cada ocasião.

Lengalengas

As que se dizem em roda, as que servem para escolher quem fica a apanhar, e as que se dizem só pelo gosto de as dizer.

51 no total.

Boca de forno! Forno! Tira o bolo! Bolo! Fareis tudo o que o vosso mestre mandar? Faremos todos!

Jogo de grupo: o mestre manda ir buscar uma coisa e o último a voltar paga a prenda.

Postal

Cabra cega, donde vens? Venho do moinho. E o que trazes? Trago pão e vinho. Dá-me um bocadinho. Não te dou, não te dou. Vem cá buscá-lo, se és capaz.

Diz-se em roda a quem está de olhos vendados, e no fim largam-no a apanhar os outros.

Postal

Serra, serra, serrador, quantas tábuas tens serrado? Trinta e quatro. E o dinheiro? Comprei pão. E o pão? Comeu-o o gato. E o gato? Fugiu para o mato.

Diz-se com a criança ao colo, a baloiçar para a frente e para trás como se fosse uma serra.

Postal

Mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura-bolos e mata-piolhos.

Vai-se apontando dedo a dedo, do mais pequeno até ao polegar.

Postal

Este foi buscar um ovo, este pô-lo a cozer, este deitou-lhe o sal, este provou-o e este gordinho comeu-o todo.

Diz-se a mexer nos dedos dos bebés e acaba sempre em cócegas.

Postal

Joaninha, voa, voa, que o teu pai foi a Lisboa, a tua mãe foi ao Porto trazer-te um vestido novo.

Recita-se com a joaninha pousada na mão, à espera que levante voo.

Postal

Caracol, caracol, põe os teus cornos ao sol. Se não os puseres, dou-te uma pancada com o pau do meu avô.

Diz-se de cócoras ao pé do caracol até ele deitar os cornos de fora.

Postal

Corre, corre, cabacinha. Corre, corre, cabação.

Refrão da história da velhinha que engana os bichos do mato escondida dentro de uma cabaça.

Postal

Hoje é domingo, pede cachimbo. O cachimbo é de ouro, dá no touro. O touro é valente, dá na gente. A gente é fraca, cai no buraco. O buraco é fundo, acabou-se o mundo.

Encadeada: cada verso pega na última palavra do anterior até o mundo acabar.

Postal

Um, dois, feijões com arroz. Três, quatro, feijão no prato. Cinco, seis, falar inglês. Sete, oito, comer biscoito. Nove, dez, comer pastéis.

Serve para aprender a contar até dez e para saltar à corda.

Postal

Era uma vez um gato maltês que tocava piano e falava francês. A dona da casa mandou-o calar e o gato zangado pôs-se a miar.

Postal

Papagaio loiro, de bico dourado, leva esta carta ao meu namorado. Ele não é padre nem homem casado, é rapaz solteiro, muito bem mandado.

Cantiga de roda, canta-se de mãos dadas a andar à volta.

Postal

Que linda falua que lá vem, lá vem. É uma falua que vem de Belém. Que linda falua, ó marinheiro, que linda falua, vou já para o mar.

Duas crianças fazem uma ponte com os braços e as outras passam por baixo em fila.

Postal

Eu fui à loja do mestre André e comprei um violino. Ai o meu violino, tim tim tim. Ai a loja do mestre André.

Em cada volta acrescenta-se um instrumento novo e repetem-se todos os anteriores pela ordem certa.

Postal

Passa, passa, gabriel, todos comem pão e mel. Passa um, passam dois, e o último que ficar é o que vai apanhar.

Duas crianças fazem um arco com os braços e baixam-nos para prender quem passar em último.

Postal

Pim, pam, pum, cada bola mata um. Não sei se é este, se é aquele, se é o número um.

Serve para escolher quem fica a apanhar, apontando a um de cada vez em cada sílaba.

Postal

Lá em cima do piano está um copo de veneno. Quem bebeu morreu. O azar foi teu.

Também é para tirar à sorte, e sai quem calhar na última sílaba.

Postal

Vai a formiga à neve e deixa lá o pezinho. Ó neve, tu és forte? Sou forte, mas mais forte é o sol que me derrete. Ó sol, tu és forte? Sou forte, mas mais forte é a nuvem que me tapa.

Encadeada e sem fim: aparece sempre alguém mais forte do que o anterior.

Postal

Trinta dias tem novembro, abril, junho e setembro. De vinte e oito só há um, os outros têm trinta e um.

Decora-se para saber de cor quantos dias tem cada mês.

Postal

Bolinhos e bolinhós, para mim e para vós, para dar aos finados que estão mortos e enterrados. Ai, ui, ai, ui, ai, que cheirinho a pão quente.

Canta-se de porta em porta no dia de Pão por Deus, a 1 de novembro, com o saco na mão.

Postal

Dedo mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura bolos, mata piolhos.

Diz se apontando ou mexendo em cada dedo da mão, para ensinar os nomes populares dos dedos e brincar com a criança.

Postal

Este quer pão, este diz que não há, este diz que o fará, este diz que o cozerá, e este pequenino todo o comerá.

Diz se tocando nos dedos da mão da criança, como brincadeira de colo.

Postal

Janela, janelinha, porta, campainha: trim!

Diz se tocando nos olhos, na boca e no nariz da criança, terminando com uma cócega ou toque na ponta do nariz.

Postal

Vai uma formiguinha pela mão acima, pela mão acima, pela mão acima... e esconde se aqui!

Diz se fazendo os dedos subir pelo braço da criança até terminar em cócegas no pescoço ou debaixo do braço.

Postal

Serra, serra, serrador, serra o papo do senhor; serra, serra, serradinha, serra o papo da galinha.

Diz se balançando a criança ou fingindo serrar com a mão, muitas vezes acabando em cócegas.

Postal

Pico, pico, maçarico, quem te deu tamanho bico? Foi a velha da cozinha, que comeu papa sem farinha.

Diz se picando levemente a palma da mão ou o corpo da criança com um dedo, em brincadeira de cócegas.

Postal

Pico, pico, sarrabico, quem te deu tamanho bico? Foi a velha chocalheira, que comeu a papa inteira.

Diz se tocando repetidamente com o dedo na mão da criança, para a fazer rir ou preparar cócegas.

Postal

Lá em cima do piano está um copo com veneno; quem bebeu morreu, o azar foi teu.

Diz-se para escolher ou eliminar uma criança numa contagem antes do jogo.

Postal

Amanhã é domingo, pé de cachimbo; o cachimbo é de barro, dá no jarro; o jarro é fino, dá no sino; o sino é de ouro, dá no touro; o touro é valente, dá na gente; a gente é fraca, cai no buraco; o buraco é fundo, acabou-se o mundo.

Diz-se como lengalenga de sorteio, apontando de criança em criança até sair a escolhida.

Postal

Vai-te embora, ó papão, De cima desse telhado; Deixa dormir o menino Um soninho descansado.

Diz-se ao embalar a criança, para a sossegar e afastar o medo do papão.

Postal

Papão, vai-te embora, De cima desse telhado; Deixa dormir o menino Um soninho descansado.

Diz-se à hora de adormecer, como cantilena para acalmar a criança.

Postal

Ó ó, menino, ó, Ó ó, menino, ó; Que a tua mãe foi à fonte E ainda não voltou.

Diz-se a embalar bebés, repetindo o balanço do «ó ó» para os fazer dormir.

Postal

Dorme, meu menino, Que a mãe logo vem; Foi lavar os paninhos À ribeira de Belém.

Diz-se como cantiga de embalar, especialmente a bebés que custam a adormecer.

Postal

Senhora Sant’Ana, Embala o menino; Que a sua mãe foi à fonte E o seu pai ao moinho.

Diz-se ao deitar ou ao embalar, invocando Sant’Ana para ajudar a adormecer a criança.

Postal

O meu menino é de oiro, É de oiro e é de prata; Hei de mandá-lo à escola Aprender a ler a carta.

Diz-se como cantiga terna de embalar, elogiando a criança enquanto se acalma.

Postal

Um, dois, três, quatro, a galinha mais o pato fugiram da capoeira; foi atrás a cozinheira que lhes deu com um sapato.

Diz-se para brincar com a contagem inicial e para ajudar a criança a fixar a sequência dos primeiros números.

Postal

Um, dois, três, macaquinho do chinês.

Diz-se no jogo infantil do macaquinho do chinês, para marcar a contagem antes de todos ficarem imóveis.

Postal

Lá vai uma, lá vão duas, três pombinhas a voar; uma é minha, outra é tua, outra é de quem a apanhar.

Diz-se como lengalenga de contagem simples, muitas vezes com crianças pequenas.

Postal

Sete e sete são catorze, com mais sete, vinte e um; tenho sete namorados, não gosto de nenhum.

Diz-se para brincar com a tabuada do sete e com a repetição dos números.

Postal

Estava a velha no seu lugar, Veio a mosca fazer-lhe mal. A mosca na velha, E a velha a fiar. Estava a mosca no seu lugar, Veio a aranha fazer-lhe mal. A aranha na mosca, A mosca na velha, E a velha a fiar. Estava a aranha no seu lugar, Veio o rato fazer-lhe mal. O rato na aranha, A aranha na mosca, A mosca na velha, E a velha a fiar. Estava o rato no seu lugar, Veio o gato fazer-lhe mal. O gato no rato, O rato na aranha, A aranha na mosca, A mosca na velha, E a velha a fiar. Estava o gato no seu lugar, Veio o cão fazer-lhe mal. O cão no gato, O gato no rato, O rato na aranha, A aranha na mosca, A mosca na velha, E a velha a fiar. Estava o cão no seu lugar, Veio o pau fazer-lhe mal. O pau no cão, O cão no gato, O gato no rato, O rato na aranha, A aranha na mosca, A mosca na velha, E a velha a fiar. Estava o pau no seu lugar, Veio o fogo fazer-lhe mal. O fogo no pau, O pau no cão, O cão no gato, O gato no rato, O rato na aranha, A aranha na mosca, A mosca na velha, E a velha a fiar. Estava o fogo no seu lugar, Veio a água fazer-lhe mal. A água no fogo, O fogo no pau, O pau no cão, O cão no gato, O gato no rato, O rato na aranha, A aranha na mosca, A mosca na velha, E a velha a fiar.

Canta-se a crianças, muitas vezes em roda ou em brincadeira, para treinar memória e ritmo acumulando animais e coisas.

Postal

Na loja do mestre André Fui comprar um pianinho. Plim, plim, plim, Um pianinho. Ai olé, ai olé, Foi na loja do mestre André. Na loja do mestre André Fui comprar um tamborzinho. Pum, pum, pum, Um tamborzinho. Plim, plim, plim, Um pianinho. Ai olé, ai olé, Foi na loja do mestre André. Na loja do mestre André Fui comprar uma flautinha. Fiu, fiu, fiu, Uma flautinha. Pum, pum, pum, Um tamborzinho. Plim, plim, plim, Um pianinho. Ai olé, ai olé, Foi na loja do mestre André. Na loja do mestre André Fui comprar uma rabeca. Rim, rim, rim, Uma rabeca. Fiu, fiu, fiu, Uma flautinha. Pum, pum, pum, Um tamborzinho. Plim, plim, plim, Um pianinho. Ai olé, ai olé, Foi na loja do mestre André.

Canta-se com crianças, juntando instrumentos e gestos ou sons a cada volta.

Postal

A árvore da montanha, Olé, ai ó. A árvore da montanha, Olé, ai ó. Esta árvore tinha um ramo, Ai, ai, ai, que lindo ramo. O ramo da árvore, A árvore da montanha, Olé, ai ó. Este ramo tinha uma folha, Ai, ai, ai, que linda folha. A folha do ramo, O ramo da árvore, A árvore da montanha, Olé, ai ó. Esta folha tinha um ninho, Ai, ai, ai, que lindo ninho. O ninho da folha, A folha do ramo, O ramo da árvore, A árvore da montanha, Olé, ai ó. Este ninho tinha um ovo, Ai, ai, ai, que lindo ovo. O ovo do ninho, O ninho da folha, A folha do ramo, O ramo da árvore, A árvore da montanha, Olé, ai ó. Este ovo tinha uma ave, Ai, ai, ai, que linda ave. A ave do ovo, O ovo do ninho, O ninho da folha, A folha do ramo, O ramo da árvore, A árvore da montanha, Olé, ai ó.

Canta-se em grupo, em escolas, escuteiros e brincadeiras, para ir acrescentando elementos à cadeia.

Postal

O lencinho vai na mão, Vai cair ao chão. Quem olhar para trás Leva um bofetão.

Diz-se no jogo do lencinho, em roda, para avisar que alguém vai deixar cair o lenço atrás de uma criança.

Postal

Ó bom barqueiro, Ó bom barqueiro, Deixai-me passar. Tenho filhos pequeninos, Não os posso sustentar. Passará, passará, Mas algum há de ficar. Se não for o da frente, Há de ser o de trás.

Diz-se no jogo do bom barqueiro, em que as crianças passam por baixo dos braços de duas outras e uma acaba presa.

Postal

A machadinha, Ah, ah, ah, A machadinha, Ah, ah, ah, Quem te pôs a mão, Sabendo que és minha? Sabendo que és minha, Também eu sou tua. Salta, machadinha, Para o meio da rua.

Canta-se em roda, com uma criança ao centro, para escolher par ou trocar de lugar.

Postal

Fui ao jardim da Celeste, Giroflé, giroflá, Fui ao jardim da Celeste, Giroflé, flé, flá. O que foste lá fazer, Giroflé, giroflá? O que foste lá fazer, Giroflé, flé, flá? Fui lá buscar uma rosa, Giroflé, giroflá, Fui lá buscar uma rosa, Giroflé, flé, flá.

Canta-se em roda ou em diálogo, muitas vezes para chamar uma criança pelo nome e a trazer para o meio.

Postal

Indo eu, indo eu, A caminho de Viseu, Encontrei o meu amor, Ai Jesus, que lá vou eu. Ora zus, truz, truz, Ora zás, trás, trás, Ora chega, chega, chega, Ora arreda lá para trás.

Canta-se em roda ou em pares, acompanhando passos e recuos marcados pela cantiga.

Postal

Ó rama, ó que linda rama, Ó rama da oliveira. O meu par é o mais lindo Que anda aqui na roda inteira. Que anda aqui na roda inteira, Inteira, roda inteira. O meu par é o mais lindo Que anda aqui na roda inteira.

Canta-se em roda, geralmente com pares, para dançar e trocar de par.

Postal

Ó Laurindinha, Vem à janela, Ver o teu amor, Ai, ai, ai, Que ele vai para a guerra. Se ele vai para a guerra, Deixa-o ir. Ele é rapaz novo, Ai, ai, ai, Ele torna a vir.

Canta-se em roda ou em dança simples, muitas vezes com uma criança destacada no centro.

Postal

Ó malhão, malhão, Que vida é a tua? Comer e beber, Ó tirim, tim, tim, Passear na rua.

Canta-se em roda e em danças de crianças, acompanhando palmas e passos simples.

Postal

Cabra-cega, de onde vens? Venho da serra. Que me trazes? Pão e queijo. Dá-me um bocadinho? Não dou.

Diz-se no jogo da cabra-cega, antes de a criança vendada tentar apanhar as outras.

Postal