O rato roeu a rolha da garrafa do rei da Rússia.
Treina o erre forte. Diz-se três vezes seguidas. O primo deste rato roeu a roupa do rei de Roma, aqui ao lado: reis diferentes, o mesmo dente.
As palavras para cada ocasião.
Ditos para dizer depressa e em voz alta, até a língua se enganar. Começa devagar, que a pressa é o que os faz cair, e vai subindo o ritmo: o trava-línguas é um jogo com regras de ginásio, primeiro a forma, depois a velocidade.
O truque deles é juntar sons irmãos (o rato e a rolha, o prato e a prata) até a boca trocar os passos. Serve de brincadeira, de aquecimento de quem fala em público e de exercício de dicção, e é das tradições orais que melhor sobrevivem: basta haver duas pessoas e vontade de rir.
43 no total.
O rato roeu a rolha da garrafa do rei da Rússia.
Treina o erre forte. Diz-se três vezes seguidas. O primo deste rato roeu a roupa do rei de Roma, aqui ao lado: reis diferentes, o mesmo dente.
Três pratos de trigo para três tigres tristes.
Repete-se cada vez mais depressa até alguém trocar o trigo pelo tigre.
Num ninho de mafagafos há sete mafagafinhos. Quem os desmafagafizar bom desmafagafizador será.
Da família dos trava-línguas de desatar palavras compridas.
Se cá nevasse fazia-se cá neve, mas como cá não neva, cá não se faz cá neve.
Convém começar devagar, porque o cá e o ne trocam de lugar sozinhos.
O peito do pé do Pedro é preto. Quem disser que o peito do pé do Pedro é preto tem o peito do pé mais preto do que o peito do pé do Pedro.
Quem se engana fica logo com a fama de ter o pé mais preto do que o Pedro. Também há quem diga só a primeira frase, ou "de Pedro" em vez de "do Pedro".
Se o Papa papasse papa, se o Papa papasse pão, se o Papa tudo papasse, seria um Papa papão.
Rimado, o que ajuda a decorar mesmo antes de se conseguir dizer depressa.
Quando digo digo, digo digo, não digo Diogo. Quando digo Diogo, digo Diogo, não digo digo.
A dificuldade está toda em não trocar o nome pelo verbo.
Se o arcebispo de Constantinopla se quisesse desarcebispoconstantinopolizar, bom desarcebispoconstantinopolizador seria.
O campeão dos trava-línguas compridos, costuma dizer-se que ninguém acerta à primeira.
Como pouco coco como, pouco coco compro.
Curto e traiçoeiro: em sete palavras, o co de como, coco e compro repete-se nove vezes.
Pedro Pereira Pinto, pobre pintor português, pinta portas, portões e paredes por poucos preços.
Treina o pê seguido de erre, que é onde a língua costuma tropeçar.
A galinha da vizinha põe mais ovos do que a minha.
Diz-se em cadeia, cada um repete à vez até alguém falhar.
O doce perguntou ao doce qual era o doce mais doce. O doce respondeu ao doce que o doce mais doce era o doce de batata-doce.
Feito do mesmo molde do tempo que perguntou ao tempo.
Um limão, meio limão, dois limões, meio limão, três limões, meio limão, quatro limões, meio limão.
Vai-se somando sem parar, e perde quem trocar a conta ou a língua.
O rato roeu a roupa do rei de Roma.
Irmão da rolha da garrafa, ouve-se quase tanto como ele. O primo deste rato roeu a rolha da garrafa do rei da Rússia, aqui ao lado: reis diferentes, o mesmo dente.
Se seis serras serram seis ciprestes, seiscentas serras serram seiscentos ciprestes.
Treina o esse sibilado no princípio e no meio das palavras.
A cabra da minha vizinha come couves na minha vinha. Se a cabra da minha vizinha não comesse couves na minha vinha, a couve da minha vinha crescia.
Bom para não deixar cair o vê no bê.
Um tigre, dois tigres, três tigres, todos a correr no trigal.
Serve de aquecimento antes de se atacar os três pratos de trigo.
Atrás da porta preta, o padre Pedro prega pregos pretos.
Treina o pê e o erre juntos, tal como o do Pedro Pereira Pinto. Também se diz sem a porta: "Padre Pedro prega pregos na pedra".
Lá vai a velha à vila vender vinho velho.
Todo o esforço está em manter o vê e não o deixar virar bê.
Sete sacos secos secam ao sol sobre sete sacas.
Treina o esse no princípio das palavras, uma atrás da outra.
Chove e chuvisca, chuvisca e chove, e a chuva chuvisca na chuvisqueira.
Treina o som do chê sem o confundir com o esse.
Cinco cães caçam cinco coelhos cansados.
Curtinho, dá para dizer de uma assentada e repetir cinco vezes.
Trinta e três trapos rotos rasgaram-se todos de rota batida.
Junta o erre forte ao tê e ao erre brando, tudo na mesma frase.
A vaca da vizinha vai pela vinha, vê a vinha e volta da vinha.
Do mesmo lote da cabra e das couves, treina o vê.
O prato de prata do padre Pedro parece prata partida.
Treina o pr e o rr no meio de tanta prata. A versão curta é só "O padre Pedro tem um prato de prata".
A Rita rega as roseiras da rua com uma regadeira rota.
Obriga a trocar de erre forte para erre brando quase a cada palavra.
Num ninho de nêsperas nasceram nove nêsperas novas.
Treina o ene e ainda ensina o nome da fruta.
Bota a bota no bote e tira o pote do bote.
Curto e fácil de aprender de cor, bom para os mais novos.
O Tomás tem tanta tosse que tosse toda a tarde.
Treina o tê, muito usado com crianças pequenas.
Farrapo rasgado, rasga o farrapo, que o farrapo rasgado já foi rasgado.
Só erres fortes do princípio ao fim.
Fui à feira comprar figos, comi figos, fartei-me de figos e nunca mais fui à feira comprar figos.
Treina o efe e conta uma pequena história, o que ajuda a decorar.
O azeite do Zé azedou. Se o azeite do Zé azedou, azedo é o azeite que o Zé azedou.
Treina o zê, que é dos sons mais escorregadios quando se fala depressa.
A aranha arranha a rã, a rã arranha a aranha. Nem a aranha arranha a rã, nem a rã arranha a aranha.
Explora a repetição do erre forte e a alternância rápida entre «aranha», «arranha» e «rã». Também se diz só a primeira metade, ou só a negativa.
O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.
Treina t e p, e costuma dizer-se depressa.
O céu está enladrilhado. Quem o desenladrilhará? O desenladrilhador que o desenladrilhar bom desenladrilhador será.
Treina os sons de cê antes de e, de esse e de zê, e diz-se depressa.
O pinto pia, a pia pinga. Quanto mais o pinto pia, mais a pia pinga.
Treina o p em pinto, pia e pinga, e diz-se depressa.
O Papa papa papas.
Treina o p em sílabas repetidas, e diz-se três vezes seguidas.
Pardal pardo, porque palras? Palro sempre e palrarei, porque sou o pardal pardo, palrador de el-rei.
Treina o p e o grupo pr, e diz-se depressa.
Quem com ferros mata Com ferro morre. Quem com ferros merros Com mata morre.
Ginástica de língua de 1883: diz-se a direita e logo a trocada, sem deixar os «ferros merros» fugirem para onde não devem.
Quem pouco pano pardo tem Escassa capa parda faz.
Da ginástica de língua da recolha de Adolfo Coelho: os pês do pano pardo travam a quem os despachar depressa demais.
Debaixo daquela pipa Está uma pita. Pinga a pipa, Chia a pita, Chia a pita, Pinga a pipa.
Repete-se em roda sem parar («e assim indefinidamente», manda a recolha), até a pipa e a pita trocarem de lugar na boca de quem diz.
Estes nabos amarujam, Eles amarujarão.
Curto e traiçoeiro: o «amarujar», que é saber a amargo, dobra-se mal à segunda vez, e é aí mesmo que a língua cai.
Ó menina deste casal, Diga-me se mora aqui O padre Pedro Pires Pisco Pascoal? Não sei qual é esse Pedro Pires Pisco Pascoal, Porque aqui nestes casais Há três padres Pedro Pires Piscos Pascoais.
Trava-línguas de pergunta e resposta, recolhido em 1883: os pês multiplicam-se até ao plural impossível dos «Piscos Pascoais».