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Poema

Estátua Falsa

Mário de Sá-Carneiro · Estátua Falsa

Só de ouro falso meus olhos se douram; Sou esfinge sem mistério no poente. A tristeza das coisas que não foram Na minh'alma desceu pesadamente. Na minha dor quebram-se espadas de ânsia, Gomos de luz em treva se misturam. As sombras que eu dimano não perduram, Como Ontem, para mim, Hoje é distância. Já não estremêço em face do segrêdo; Nada me aloira já, nada me aterra: A vida corre sobre mim em guerra, E nem sequer um arrepio de medo! Sou estrela ébria que perdeu os céus, Sereia louca que deixou o mar; Sou templo prestes a ruir sem deus, Estátua falsa ainda erguida no ar...

Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte

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Frases tiradas deste poema

Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.

A vida corre sobre mim em guerra, E nem sequer um arrepio de medo!

Estátua Falsa, de Mário de Sá-CarneiroVerificada

Postal

Sou templo prestes a ruir sem deus, Estátua falsa ainda erguida no ar...

Estátua Falsa, de Mário de Sá-CarneiroVerificada

Postal

Sou estrela ébria que perdeu os céus, Sereia louca que deixou o mar;

Estátua Falsa, de Mário de Sá-CarneiroVerificada

Postal

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