Desejos Vãos
Florbela Espanca · Livro de Mágoas (1919), p. 85
Eu qu'ria ser o Mar d'altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu qu'ria ser a pedra que não pensa,
A Pedra do caminho, rude e forte!
Eu qu'ria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu qu'ria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
Mas o Mar também chora de tristeza...
As Árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim dum dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras... essas... pisa-as toda a gente!...
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.
Eu q’ria ser a pedra que não pensa, A pedra do caminho, rude e forte!
Desejos Vãos, de Florbela EspancaVerificada
Eu queria ser o sol, a luz intensa, O bem do que é humilde e não tem sorte!
Desejos Vãos, de Florbela EspancaVerificada
Mas o Mar também chora de tristeza...
Desejos Vãos, de Florbela EspancaVerificada
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