Florbela Espanca
1894 a 1930 · obra em domínio público desde 2001
Poemas
- A Flor do Sonho
- A Minha Tragédia
- A Um Livro
- Alma Perdida
- Amiga
- Angústia
- Ao Vento
- As Minhas Ilusões
- Castelã (Florbela Espanca)
- Castelã da Tristeza
- Charneca em Flor
- De Joelhos (Florbela Espanca)
Frases
Cada uma diz de que obra saiu e em que capítulo.
A Flor do Sonho, alvíssima, divina, Miraculosamente abriu em mim, Como se uma magnólia de cetim Fosse florir num muro todo em ruína.
Milagre... fantasia... ou, talvez, sina...
Desde que em mim nasceste em noite calma, Voou ao longe a asa da minh’alma E nunca, nunca mais eu me entendi...
Tudo o que eu sinto, sem poder dizer!
Artista da saudade e do sofrer!
No silêncio de cinzas do meu Ser Agita-se uma sombra de cipreste,
Toda esta noite o rouxinol chorou, Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Que ninguém é mais triste do que nós!
Que eu pensei que tu eras a minh’alma Que chorasse perdida em tua voz!...
Ó minha vã, inútil mocidade, Trazes-me embriagada, entontecida!...
Eu não gosto do sol, eu tenho medo Que me leiam nos olhos o segredo De não amar ninguém, de ser assim!
Gosto da Noite imensa, triste, preta, Como esta estranha e doida borboleta Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...
Deixa-me ser a tua amiga, Amor, A tua amiga só, já que não queres Que pelo teu amor seja a melhor, A mais triste de todas as mulheres.
Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...
Os beijos que sonhei pra minha boca!...
Tortura do pensar! Triste lamento!
E não se apaga, não... nada se apaga!
Ah! não ser mais que o vago, o infinito! Ser pedaço de gelo, ser granito, Ser rugido de tigre na floresta!
O sol morreu... e veste luto o mar...
As minhas Ilusões, doce tesoiro, Também as vi levar em urna d’oiro, No mar da Vida, assim... uma por uma...
Vivo sozinha em meu castelo: a Dor...
E nunca, nunca vi passar ninguém!
Que a tragédia infinita é a Saudade! Que a tragédia infinita é Nunca Mais!!
Vivo sozinha em meu castelo: a Dor!
Chora o silêncio... nada... ninguém vem...
Vale-te mais chorar, meu pobre amigo! Desabafa essa dor a sós comigo, E não rias assim!... O vento, chora!
Que eu bem conheço, amigo, esse fadário Do nosso peito ser como um Calvário, e a gente andar a rir p’la vida fora!!...
Amar, amar, amar, amar siempre y con todo El ser y con la tierra y con el cielo, Con lo claro del sol y lo obscuro del lodo. Amar por toda ciencia y amar por todo anhelo.
Amar la immensidad, que es de amor encendida, Y arder en la fusión de nuestros pechos mismos...
“Bendita seja a Mãe que te gerou.”
De Joelhos (Florbela Espanca), de Florbela EspancaVerificada
Benditos sejam todos que te amarem, As que em volta de ti ajoelharem Numa grande paixão fervente e louca!
De Joelhos (Florbela Espanca), de Florbela EspancaVerificada
E se mais que eu, um dia, te quiser Alguém, bendita seja essa Mulher, Bendito seja o beijo dessa boca!!
De Joelhos (Florbela Espanca), de Florbela EspancaVerificada
Eu q’ria ser a pedra que não pensa, A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o sol, a luz intensa, O bem do que é humilde e não tem sorte!
Mas o Mar também chora de tristeza...
Eu sou a que no mundo anda perdida, Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
É tão triste morrer na minha idade!
E ser-se novo é ter-se o Paraíso, É ter-se a estrada larga, ao sol, florida, Aonde tudo é luz e graça e riso!
Este livro é de mágoas. Desgraçados Que no mundo passais, chorai ao lê-lo!
Livro de Sombras... Névoas e Saudades!
Irmãos na Dor, os olhos rasos de água, Chorai comigo a minha imensa mágoa,
Eu q’ria ser o Mar ingente e forte O mar enorme, a vastidão imensa...
Eu q'ria ser o Mar ingente e forte..., de Florbela EspancaVerificada
Eu q’ria ser a pedra no caminho Que não sofre a tortura do pensar...
Eu q'ria ser o Mar ingente e forte..., de Florbela EspancaVerificada
O meu Destino disse-me a chorar: “Pela estrada da Vida vai andando; E, aos que vires passar, interrogando Acerca do Amor, que hás de encontrar.”
Fui pela estrada a rir e a cantar, As contas do meu sonho desfilando... E noite e dia, à chuva e ao luar, Fui sempre caminhando e perguntando...
Quando se sofre, o que se diz é vão...
Impossível (Florbela Espanca), de Florbela EspancaVerificada
Os meus males ninguém mos adivinha... A minha Dor não fala, anda sozinha...
Impossível (Florbela Espanca), de Florbela EspancaVerificada
A minha Dor não cabe Nos cem milhões de versos que eu fizera!...
Impossível (Florbela Espanca), de Florbela EspancaVerificada
Tardes da minha terra, doce encanto,
Horas benditas, leves como penas,
Traçam gestos de sonho pelo ar...
Fazer do mundo a Terra Prometida Que ainda em sonho às vezes me aparece!
Le désir d'un peu plus de bonbeur, d'un Peu plus de beauté, d'un peu plus de justice.
É triste, diz a gente, a vastidão Do mar imenso!
Poentes de agonia trago-os eu Dentro de mim e tudo quanto é meu É um triste poente d’amargura!
E a noite sou eu própria! A Noite escura!!
E eu oiço a Noite imensa soluçar! E eu oiço soluçar a Noite escura!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe Uma Saudade igual à que eu contenho!
Obras usadas
- A Um Livro
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Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/florbela-espanca/a-minha-tragedia/ - Angústia
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Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/florbela-espanca/ao-vento/ - De Joelhos (Florbela Espanca)
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/florbela-espanca/de-joelhos-florbela-espanca/ - Eu (Livro das Mágoas)
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Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/florbela-espanca/velhinha/ - A Flor do Sonho
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Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/florbela-espanca/vaidade/ - Torre de Névoa
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