Ao Vento
Florbela Espanca · Livro de Mágoas (1919), p. 113
O vento passa a rir, torna a passar,
Em gargalhadas asp'ras de demente;
E esta minh'alma trágica e doente
Não sabe se há de rir, se há de chorar!
Vento de voz tristonha, voz plangente,
Vento que ris de mim, sempre a troçar,
Vento que ris do mundo e do amar,
A tua voz tortura toda a gente!...
Vale-te mais chorar, meu pobre amigo!
Desabafa essa dor a sós comigo,
E não rias assim!... Ó vento, chora!
Que eu bem conheço, amigo, esse fadário
Do nosso peito ser como um Calvário,
E a gente andar a rir p'la vida fora!!...
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.
Vale-te mais chorar, meu pobre amigo! Desabafa essa dor a sós comigo, E não rias assim!... O vento, chora!
Ao Vento, de Florbela EspancaVerificada
Que eu bem conheço, amigo, esse fadário Do nosso peito ser como um Calvário, e a gente andar a rir p’la vida fora!!...
Ao Vento, de Florbela EspancaVerificada
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