Screvo meu livro à beira-mágoa...
Fernando Pessoa · Mensagem (1934), pp. 85-86
Screvo meu livro à beira-mágoa.
Meu coração não tem que ter.
Tenho meus olhos quentes de água.
Só tu, Senhor, me dás viver.
Só te sentir e te pensar
Meus dias vácuos enche e doura.
Mas quando quererás voltar?
Quando é o Rei? Quando é a Hora?
Quando virás a ser o Cristo
De a quem morreu o falso Deus,
E a despertar do mal que existo
A Nova Terra e os Novos Céus?
Quando virás, ó Encoberto,
Sonho das eras português,
Tornar-me mais que o sopro incerto
De um grande anseio que Deus fez?
Ah, quando quererás, voltando,
Fazer minha esperança amor?
Da névoa e da saudade quando?
Quando, meu Sonho e meu Senhor?
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.
Screvo meu livro à beira-mágoa.
Screvo meu livro à beira-magoa..., de Fernando PessoaVerificada
Só tu, Senhor, me dás viver.
Screvo meu livro à beira-magoa..., de Fernando PessoaVerificada
Só te sentir e te pensar Meus dias vácuos enche e doura.
Screvo meu livro à beira-magoa..., de Fernando PessoaVerificada
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