Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Screvo meu livro à beira-mágoa...

Fernando Pessoa, em Mensagem (1934)

Screvo meu livro à beira-magua. Meu coração não tem que ter. Tenho meus olhos quentes de agua. Só tu, Senhor, me dás viver. Só te sentir e te pensar Meus dias vacuos enche e doura. Mas quando quererás voltar? Quando é o Rei? Quando é a Hora? Quando virás a ser o Christo De a quem morreu o falso Deus, E a dispertar do mal que existo A Nova Terra e os Novos Céus? Quando virás, ó Encoberto, Sonho das eras portuguez, Tornar-me mais que o sopro incerto De um grande anceio que Deus fez? Ah, quando quererás, voltando, Fazer minha esperança amor? Da nevoa e da saudade quando? Quando, meu Sonho e meu Senhor?

Grafia atualizada a partir da primeira edição.

Partilhar

Frases tiradas deste poema

Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, que é o que quase nenhum site dá.

Screvo meu livro à beira-mágoa.

Screvo meu livro à beira-magoa..., de Fernando PessoaVerificada

Postal

Só tu, Senhor, me dás viver.

Screvo meu livro à beira-magoa..., de Fernando PessoaVerificada

Postal

Só te sentir e te pensar Meus dias vacuos enche e doura.

Screvo meu livro à beira-magoa..., de Fernando PessoaVerificada

Postal

Mais poemas de Fernando Pessoa

Sabes mais sobre isto?

Se conheces outra versão, se dizem de outra maneira na tua terra, ou se encontraste um erro, diz. É assim que isto melhora.

Só publicamos depois de ler. Não guardamos o teu endereço de IP, só uma impressão digital dele para travar abuso.