Estatua
Camilo Pessanha · Estatua
Cancei-me de tentar o teu segrêdo:
No teu olhar sem côr,—frio escalpelo,—
O meu olhar quebrei, a debate-lo,
Como a onda na crista d'um rochêdo.
Segrêdo d'essa alma e meu degrêdo
E minha obcessão! Para bebe-lo
Fui teu labio oscular, n'um pesadêlo,
Por noites de pavor, cheio de medo.
E o meu osculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre o marmore correcto
Desse entreaberto labio gelado...
Desse labio de marmore, discreto,
Severo como um tumulo fechado,
Serêno como um pélago quieto.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, que é o que quase nenhum site dá.
Cancei-me de tentar o teu segrêdo:
Estatua, de Camilo PessanhaVerificada
Segrêdo d'essa alma e meu degrêdo E minha obcessão!
Estatua, de Camilo PessanhaVerificada
Mais poemas de Camilo Pessanha
Sabes mais sobre isto?
Se conheces outra versão, se dizem de outra maneira na tua terra, ou se encontraste um erro, diz. É assim que isto melhora.