Camilo Pessanha
1867 a 1926 · obra em domínio público desde 1997
Poemas
- Ao longe os barcos de flores
- Ao meu coração um peso de ferro
- Chorae arcadas
- Crepuscular
- Depois da lucta e depois da conquista
- Depois das bodas de oiro
- Desce em folhedos tenros a colina
- E eis quanto resta do idílio acabado
- Em um retrato
- Estatua
- Esvelta surge! Vem das aguas, nua
- Final
Frases
Cada uma diz de que obra saiu e em que capítulo.
Chorae arcadas Do violoncelo!
Trémulos astros... Soidões lacustres...
Urnas quebradas! Blocos de gelo...
Só, incessante, um som de flauta chora, Viúva, grácil, na escuridão tranquila.
Quem sabe a dor que sem razão deplora?
Só, incessante, um som de flauta chora...
Porque vos fostes, minhas caravelas, Carregadas de todo o meu tesoiro?
Depois da lucta e depois da conquista, de Camilo PessanhaVerificada
Felizes vós, ó mortos da batalha!
Depois da lucta e depois da conquista, de Camilo PessanhaVerificada
Não seí que mau agoiro Me enoiteceu a vida...
E mata-me a saudade...
Não sei que dôr me invade.
Ha no ambiente um murmurio de queixume, De desejos de amor, d'ais comprimidos...
—Tenho entre as mãos as tuas mãos pequenas. O meu olhar no teu olhar suave.
As tuas mãos tão brancas d'anemia... Os teus olhos tão meigos de tristeza...
Quem vai embarcar, que vá degredado... As penas do amor não queira levar...
Ao meu coração um peso de ferro, de Camilo PessanhaVerificada
O meu coração é o cofre selado.
Ao meu coração um peso de ferro, de Camilo PessanhaVerificada
No dia em que enfim deixar de chorar...
Ao meu coração um peso de ferro, de Camilo PessanhaVerificada
Oh vem! Meus olhos querem desposar-te Reflectir-te virgem a serena imagem.
Desce em folhedos tenros a collina, de Camilo PessanhaVerificada
Alma de silfo, carne de camelia...
Desce em folhedos tenros a collina, de Camilo PessanhaVerificada
Morre-me a boca por beijar a tua.
Esvelta surge! Vem das aguas, nua, de Camilo PessanhaVerificada
Sem vil pudôr! Do que ha que ter vergonha?
Esvelta surge! Vem das aguas, nua, de Camilo PessanhaVerificada
As palpebras cerrae, anciosas não veleis.
Cessae de cogitar, o abismo não sondeis.
Adormecei. Não suspireis. Não respireis.
Como vão longe as manhãs do convento!
E eis quanto resta do idyllio acabado, de Camilo PessanhaVerificada
Tudo acabou... Anemonas, hidrângeas.
E eis quanto resta do idyllio acabado, de Camilo PessanhaVerificada
No claustro agora víçam as ortigas, Rojam-se cobras pelas velhas lageas.
E eis quanto resta do idyllio acabado, de Camilo PessanhaVerificada
Cancei-me de tentar o teu segrêdo:
Segrêdo d'essa alma e meu degrêdo E minha obcessão!
Floriram por engano as rosas bravas No inverno: veio o vento desfolhal-as...
Floriram por engano as rosas bravas, de Camilo PessanhaVerificada
Castelos doidos! Tão cedo cahistes!...
Floriram por engano as rosas bravas, de Camilo PessanhaVerificada
E sobre nós cahe nupcial a neve, Surda, em triunfo, petalas, de leve Juncando o chão, na acrópole de gelos...
Floriram por engano as rosas bravas, de Camilo PessanhaVerificada
Eu vi a luz em um paiz perdido. A minha alma é languida e inerme.
Oh! Quem podesse deslisar sem ruido! No chão sumir-se, como faz um verme...
Foi um dia de inuteis agonias.
Foi um dia de falsas alegrias.
O dia futil mais que os outros dias! Minuete de discretas ironias...
—Campo florido das Saudades Porque rebentas tumultuario?
—Extranha taça de venenos Meu coração sempre em revolta.
Coração, quietinho... quietinho... Porque te insurges e blasfemas?
Imagens que passais pela retina Dos meus olhos, porque não vos fixais?
Imagens que passaes pela retina, de Camilo PessanhaVerificada
Aridez de sucessivos desertos...
Imagens que passaes pela retina, de Camilo PessanhaVerificada
—Estranha sombra em movimentos vãos.
Imagens que passaes pela retina, de Camilo PessanhaVerificada
Se é amar-te não sei. Não seí se te idealiso A tua côr sadia, o teu sorriso terno, Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso Que me penetra bem, como este sol de inverno.
Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar, de Camilo PessanhaVerificada
Eu não sei se é amor. Será talvez começo... Eu não sei que mudança a minha alma presente...
Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar, de Camilo PessanhaVerificada
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço, Que adoecia talvez de te saber doente.
Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar, de Camilo PessanhaVerificada
O meu coração desce, Um balão apagado...
—Melhor fôra que ardesse, Nas trevas, incendiado.
O inane, vil despojo Da alma egoista e fraca!
Passou o outono já, já torna o frio...
Passou o outono já, já torna o frio, de Camilo PessanhaVerificada
Para onde me levais meu vão cuidado? Aonde vais, meu coração vazío?
Passou o outono já, já torna o frio, de Camilo PessanhaVerificada
Onde ides a correr, melancolias?
Passou o outono já, já torna o frio, de Camilo PessanhaVerificada
Lirios, lirios, aguas do rio, a lua...
Primavera. Manhã. Que eflúvio de violetas!
Ó meu coração torna para traz D'onde vais a correr, desatinado?
Vergam da neve os olmos dos caminhos, A cinza arrefeceu sobre o brazido.
Extìnctas primaveras evocae-as:
(Quantos trabalhos e perigos!)
Quando se erguerão as setteiras, de Camilo PessanhaVerificada
Amores te bafejem. Que as moças te beijem. Que os moços te invejem.
Ninguem que te chame... Ninguem que te ame...
Obras usadas
- Chorae arcadas
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/chorae-arcadas/ - Depois da lucta e depois da conquista
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/depois-da-lucta-e-depois-da-conquista/ - Ao longe os barcos de flores
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/ao-longe-os-barcos-de-flores/ - Depois das bodas de oiro
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/depois-das-bodas-de-oiro/ - Crepuscular
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/crepuscular/ - Ao meu coração um peso de ferro
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/ao-meu-coracao-um-peso-de-ferro/ - Desce em folhedos tenros a collina
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/desce-em-folhedos-tenros-a-collina/ - Esvelta surge! Vem das aguas, nua
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/esvelta-surge-vem-das-aguas-nua/ - Final
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/final/ - E eis quanto resta do idyllio acabado
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/e-eis-quanto-resta-do-idyllio-acabado/ - Estatua
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/estatua/ - Floriram por engano as rosas bravas
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/floriram-por-engano-as-rosas-bravas/ - Incripção
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/incripcao/ - Foi um dia de inuteis agonias
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/foi-um-dia-de-inuteis-agonias/ - Na cadeia os bandidos presos!
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/na-cadeia-os-bandidos-presos/ - Imagens que passaes pela retina
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/imagens-que-passaes-pela-retina/ - O meu coração desce
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/o-meu-coracao-desce/ - Phonographo
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/phonographo/ - Quando se erguerão as setteiras
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/quando-se-erguerao-as-setteiras/ - Quem polluiu, quem rasgou os meus lençoes de linho
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/quem-polluiu-quem-rasgou-os-meus-lencoes-de-linho/ - Quando voltei encontrei os meus passos
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/quando-voltei-encontrei-os-meus-passos/ - Voz debil que passas
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/voz-debil-que-passas/ - Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/nao-sei-se-isto-e-amor-procuro-o-teu-olhar/ - Passou o outono já, já torna o frio
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/passou-o-outono-ja-ja-torna-o-frio/ - Ó meu coração torna para traz
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/o-meu-coracao-torna-para-traz/ - Rufando apressado
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/rufando-apressado/ - Se andava no jardim
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/se-andava-no-jardim/ - Tatuagens complicadas do meu peito
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/tatuagens-complicadas-do-meu-peito/ - Singra o navio. Sob a agua clara
Poema avulso, transcrito da Wikisource e publicado em /poemas/camilo-pessanha/singra-o-navio-sob-a-agua-clara/
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