Final
Camilo Pessanha · Final
Ó cores virtuais que jazeis subterraneas,
—Fulgurações azues, vermelhos de hemoptyse,
Represados clarões, chromaticas vesanias—,
No limbo onde esperais a luz que vos baptise,
As palpebras cerrae, anciosas não veleis.
Abortos que pendeis as frontes côr de cidra,
Tão graves de scismar, nos bocais dos museus,
E escutando o correr da agua na clepsydra,
Vagamente sorris, resignados e atheus,
Cessae de cogitar, o abysmo não sondeis.
Gemebundo arrulhar dos sonhos não sonhados,
Que toda a noite errais, doces almas penando,
E as azas lacerais na aresta dos telhados,
E no vento expirais em um queixume brando,
Adormecei. Não suspireis. Não respireis.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, que é o que quase nenhum site dá.
Adormecei. Não suspireis. Não respireis.
Final, de Camilo PessanhaVerificada
Cessae de cogitar, o abismo não sondeis.
Final, de Camilo PessanhaVerificada
As palpebras cerrae, anciosas não veleis.
Final, de Camilo PessanhaVerificada
Mais poemas de Camilo Pessanha
Sabes mais sobre isto?
Se conheces outra versão, se dizem de outra maneira na tua terra, ou se encontraste um erro, diz. É assim que isto melhora.