Phonographo
Camilo Pessanha · Phonographo
Vae declamando um comico defunto,
Uma platêa ri, perdidamente,
Do bom jarreta... E ha um odôr no ambiente
A cripta e a pó,—do anachronico assumpto.
Muda o registo, eis uma barcarola:
Lirios, lirios, aguas do rio, a lua...
Ante o Seu corpo o sonho meu fluctua
Sobre um paúl,—extática corola.
Muda outra vez: gorgeios, estribilhos
D'um clarim de oiro—o cheiro de junquilhos,
Vivido e agro!—tocando a alvorada...
Cessou. E, amorosa, a alma das cornetas
Quebrou-se agora orvalhada e velada.
Primavera. Manhã. Que eflúvio de violetas!
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, que é o que quase nenhum site dá.
Lirios, lirios, aguas do rio, a lua...
Phonographo, de Camilo PessanhaVerificada
Primavera. Manhã. Que eflúvio de violetas!
Phonographo, de Camilo PessanhaVerificada
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