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Poema

Odes modernas (1875)/Livro Segundo/A um crucifixo

Antero de Quental · A um crucifixo, p. 119

Ha mil anos, bom Christo, ergueste os magros braços E clamaste da cruz: ha Deus! e olhaste, ó crente, O horizonte futuro e viste, em tua mente, Um alvor ideal banhar esses espaços! Porque morreu sem eccho o eccho de teus passos, E de tua palavra (ó Verbo!) o som fremente? Morreste… ah! dorme em paz! não volvas, que descrente Arrojáras de nova á campa os membros lassos… Agora, como então, na mesma terra erma, A mesma humanidade é sempre a mesma enferma, Sob o mesmo ermo céo, frio como um sudario… E agora, como então, viras o mundo exangue, E ouviras perguntar—de que servio o sangue Com que regaste, ó Christo, as urzes do Calvario?—

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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A mesma humanidade é sempre a mesma enferma,

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Sob o mesmo ermo céo, frio como um sudario…

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