Amaritudo
Antero de Quental · Os Sonetos Completos (1886), p. 34
Só por ti, astro ainda e sempre oculto,
Sombra do Amor e sonho da Verdade,
Divago eu pelo mundo e em ansiedade
Meu próprio coração em mim sepulto.
De templo em templo, em vão, levo o meu culto,
Levo as flores duma íntima piedade.
Vejo os votos da minha mocidade
Receberem somente escárnio e insulto.
À beira do caminho me assentei...
Escutarei passar o agreste vento,
Exclamando: assim passe quanto amei! —
Oh minh'alma, que creste na virtude!
O que será velhice e desalento,
Se isto se chama aurora e juventude?
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.
Oh minh'alma, que creste na virtude! O que será velhice e desalento, Se isto se chama aurora e juventude?
Amaritudo, de Antero de QuentalVerificada
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