Ditos

As palavras para cada ocasião.

Manuel Maria Barbosa du Bocage

1765 a 1805 · obra em domínio público desde 1876

Retrato ilustrado de Manuel Maria Barbosa du Bocage

Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805) foi o mais famoso improvisador que a língua portuguesa conheceu: pediam-lhe um mote numa botica de Lisboa e saía um soneto feito. Setubalense, marinheiro por Goa e Macau na juventude, membro da Nova Arcádia com o nome de Elmano Sadino, foi preso em 1797 por ordem do intendente Pina Manique, por versos ímpios e sediciosos. Ao lado do Bocage anedótico que o povo guardou existe um sonetista rigoroso, dos maiores depois de Camões, que encarou a própria morte em verso limpo. Morreu aos 39 anos. Da cadeia do Limoeiro passou ao mosteiro e à liberdade vigiada, e ganhou a vida a traduzir, de Ovídio a Rousseau, com fome muitas vezes. No leito de morte ainda ditou versos sobre o próprio fim, lúcido até à última rima. O povo guardou o Bocage das anedotas, quase todas inventadas; a literatura guarda o dos sonetos, que aqui estão, do improviso famoso à meditação sobre a morte, na grafia de hoje.

Poemas

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