De cerúleo gabão não bem coberto
Manuel Maria Barbosa du Bocage · De cerúleo gabão não bem coberto
De cerúleo gabão não bem coberto,
Passeia em Santarém chuchado moço,
Mantido às vezes de sucinto almoço,
De ceia casual, jantar incerto;
Dos esburgados peitos quase aberto,
Versos impinge por miúdo e grosso.
E do que em frase vil chamam caroço,
Se o quer, é vox clamantis in deserto.
Pede às moças ternura, e dão-lhe motes!
Que tendo um coração como estalage,
Vão nele acomodando a mil pexotes.
Sabes, leitor, quem sofre tanto ultraje,
Cercado de um tropel de franchinotes?
É o autor do soneto: é o Bocage!
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, que é o que quase nenhum site dá.
Pede às moças ternura, e dão-lhe motes!
De cerúleo gabão não bem coberto, de Manuel Maria Barbosa du BocageVerificada
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