Manuel Maria Barbosa du Bocage · Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas (1900), p. 62
Conheço de teus males a vehemencia,
Prezada Olinda! Eu própria os hei sofrido,
Quando da mesma edade que hoje contas
Próvida a Natureza começava
A preencher em mim seus fins sagrados.
Marcha ela por graus em suas obras;
Procede ao fruto a flor já matizada,
Que fora antes de flor botão mimoso.
Assim a sabia mão da Natureza,
A passos insensiveis caminhando
Maravilhas em nós produz, que assombram.
Somos na infancia apenas um bosquejo
Do que nos cumpre ser anos mais tarde.
N′aquela edade a Natureza atenta
Em conservar-nos só, não desenvolve
Sentimentos, que então superfluos foram:
Inativas nos tem, e nos conserva,
Bem como as plantas no gelado inverno.
Porém depois que o sol da primavera
Fecundos raios sobre nós dardeja,
Então de novas formas animado
Pula nas veias afogueado sangue,
E sem perder da infancia os atrativos
Da puberdade o lustre desfrutamos.
Então sentimos comoções insolitas,
Que origem são dos males, que te oprimem:
Do amor, que te domina, melancholico;
Da forte agitação, que em ti presentes.
Mas tem tudo remedio; eu hei de dar-t′o,
Feliz serás, se o trilho me seguires.
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
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Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.
Assim a sabia mão da Natureza,
A passos insensiveis caminhando
Maravilhas em nós produz, que assombram.
Conheço de teus males a vehemencia, de Manuel Maria Barbosa du BocageVerificada