Pela escadinha de um courão subindo
Manuel Maria Barbosa du Bocage · Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas (1900), p. 150
Poesia satírica de linguagem explícita, publicada como obra de época. Esta página não mostra publicidade e os versos dela não entram nas sugestões gerais do site.
Pela escadinha de um courão subindo
Parei na sala, onde não entra o pejo;
Chinelo aqui e ali suado vejo,
E o fato de cordel pendente, rindo:
Quando em miséria tanta refletindo
Estava, me apareceu ninfa do Tejo,
Roendo um fatacaz de pão com queijo,
E para mim num ai vem rebolindo:
Dá-me um grito a razão: — «Eia fujamos
Minha porra infeliz já deste inferno...
Mas tu respingas? Tenho dito, vamos...»
Eis a porra assim diz — «Com ódio eterno
Eu, e os sócios colhões em ti mijamos;
Para baixo do embigo eu só governo.»
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
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