Esquentado frisão, brutal masmorro
Manuel Maria Barbosa du Bocage · (Esquentado frisão, brutal masmorro), p. 119
Esquentado frisão, brutal masmorro
Girava em Santarem na pobre feira;
Eis que divisa ao longe em couva ceira
Seus bons irmãos seraphicos de barro:
O bruto, que arremeda um boi de carro
Na carranca feroz, parte à carreira,
Os sagrados bonecos escaqueira,
E arranca de ufania um longo escarro:
N′alma o santo furor lhe arqueja, e berra;
Mas vós enchei-vos de intimo alvoroço,
Povos, que do burel soffreis a guerra:
Que dos bonzos de barro o vil destroço
É presagio talvez de irem por terra
Membrudos fradalhões de carne e osso!
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
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