Com que mágoa o não digo! Eu nem te vejo
Manuel Maria Barbosa du Bocage · Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas (1900), p. 156
Poesia satírica de linguagem explícita, publicada como obra de época. Esta página não mostra publicidade e os versos dela não entram nas sugestões gerais do site.
Com que mágoa o não digo! Eu nem te vejo,
Meu caralho infeliz! Tu, que algum dia
Na gaiteira amorosa filistria
Foste o regalo do meu pátrio Tejo!
Sem te importar o feminino pejo,
Traz a mimosa virgem, que fugia,
Fincado à terna, afadigada Armia,
Lhe pespegavas no coninho um beijo:
Hoje, canal de fétida remela,
O misantropo do país das bimbas,
Apenas olhas cândida donzela!
Deitado dos colhões sobre as tarimbas,
Só co'a memória em feminil canela
Às vezes pívia casual cachimbas.
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
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