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Estou aqui, mesmo nos dias em que só apetecer ficar calada. Há dias em que o peito parece uma casa com as janelas fechadas. Mas até a luz mais teimosa encontra uma fresta. Aguenta só mais um pouco, amiga, a manhã também sabe voltar devagar. Não precisas de ser forte a toda a hora. Até as pessoas mais corajosas se sentam um bocadinho à beira do caminho. Quando quiseres, sento-me contigo, nem que seja em silêncio. Isto hoje pesa, eu sei. Mas tu não estás sozinha a carregar. Aguenta firme. Isto pesa, mas não és feito de papel. Há dias que parecem chuva miúda, daquela que entra pelos ossos sem pedir licença. Mas também há luz a voltar devagar, pela fresta. Fica só mais um bocadinho de pé, amigo. Peço a Deus que te dê serenidade para este dia, não para carregares tudo de uma vez, mas para encontrares força no passo seguinte. Estou contigo, em pensamento e no que precisares. Se hoje só conseguires levantar a cabeça, já é alguma coisa. Não te cobres como se fosses uma máquina. És meu amigo, és importante, e podes contar comigo sem ter de explicar tudo. Mesmo quando o caminho parece uma rua sem saída, há sempre uma esquina que ainda não viste. Vai com calma. O chão volta a ficar firme, às vezes primeiro num passo, depois noutro. Mana, hoje segura só a ponta do dia. O resto vamos apanhando juntas, bocadinho a bocadinho. Respira, mana. Mesmo os dias tortos acabam por encontrar a saída. Há dias em que o peito parece uma gaveta cheia demais. Não tens de arrumar tudo agora, minha irmã. Abre só uma fresta, deixa entrar ar, e lembra-te de que não estás sozinha. Minha irmã, peço a Deus que te dê serenidade para esta hora e força para o passo seguinte. Não precisas de parecer forte o tempo todo, basta não largares a tua própria mão. Um dia difícil não manda na tua vida inteira, mana. Amanhã há outra luz. Filho, respira fundo. Um passo limpo hoje já muda o caminho. Meu filho, sei que há dias em que até levantar a cabeça pesa. Mas tu não és este momento difícil. És também a força que já mostraste antes, mesmo quando ninguém estava a ver. Há marés que deixam tudo fora do lugar, mas o barco não deixa de ser barco. Aguenta o leme, filho. Mesmo devagar, também se chega a porto seguro. Filho, peço a Deus que te dê serenidade para hoje, não para a vida inteira de uma vez. Só a luz necessária para o próximo passo já chega. Vai um dia de cada vez. A secretária não foge e nós também não. Não tens de resolver tudo agora. Começa pelo que está à tua frente: uma chamada, uma tarefa, um banho, uma refeição. Às vezes, a coragem veste roupa simples. Mesmo no nevoeiro, continua. A estrada aparece quando os pés não desistem. Peço a Deus que lhe dê serenidade para atravessar este momento sem se sentir sozinho. Há dias em que a coragem é só levantar-se, vestir o casaco e continuar, e isso já conta muito. Força, {nome}. Hoje basta dar o próximo passo, sem resolver a vida inteira. Vai um dia de cada vez. Até as paredes mais grossas cedem à luz.