Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Doces e claras águas do Mondego

Luís Vaz de Camões · (Doces e claras águas do Mondego), p. 141

Doces e claras águas do Mondego, Doce repouso de minha lembrança, Onde a comprida e perfida esperança Longo tempo apos si me trouxe cego, De vós me aparto, si; porém não nego Que inda a longa memória, que me alcança, Me não deixa de vós fazer mudança, Mas quanto mais me alongo, mais me achego Bem poderá a Fortuna este instrumento Da alma levar por terra nova e estranha, Oferecido ao mar remoto, ao vento. Mas a alma, que de cá vos acompanha, Nas azas do ligeiro pensamento Para vós, águas, vôa, e em vós se banha.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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