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Poema

Descalço e sem chapéu Apolo louro

Luís Vaz de Camões · Descalço e sem chapéu Apolo louro

Descalço e sem chapéu Apolo louro, dos mais vestidos bem ataviado, um dia o vi vir tão namorado da lira, que nas mãos trazia, de ouro... Dizendo alegre vinha: «Ó meu tesouro, vida e tempo nas músicas gastado, com um defeito is desconcertado que, sendo português, me fazeis mouro. No trajo digo só, porque é costume na minha gente ser o trajo inteiro, não em parte; mas em tudo se resume. Dais-me pelote e capa, sem sombreiro; sem calças me subis num alto cume, aonde o vento temo ser ligeiro».
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