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Poema

Deixando o doce fato e a cabana

Luís Vaz de Camões · Deixando o doce fato e a cabana

Deixando o doce fato e a cabana, Hilário pastor por ũa serra alçada desta arte se aqueixava em voz irada da fermosa pastora Terciana: «Nem tu és nascida de gente humana, nem foste em ventre de mulher gerada; mas antre as duras feras és criada, mamando o leite algũa tigre hircana. Se em ti houvera algum modo de sentido, meu mal movera a aspereza tua e abrandara teu peito endurecido. Mas creio que mostrando a ira sua, Deus, pera ser das gentes mais temido, fez a mim desditoso e a ti crua.»
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