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Poema

Debaixo desta pedra sepultada

Luís Vaz de Camões · (Debaixo desta pedra sepultada), p. 190

Debaixo desta pedra sepultada Jaz do mundo a mais nobre formosura, A quem a morte, só de inveja pura, Sem tempo sua vida tẽe roubada, Sem ter respeito áquella assi estremada Gentileza de luz, que a noite escura Tornava em claro dia; cuja alvura Do sol a clara luz tinha eclipsada. Do sol peitada foste, cruel morte, Para o livrar de quem o escurecia; E da lua, que ante ela luz não tinha. Como de tal poder tiveste sorte? E se a tiveste, como tão asinha Tornaste a luz do mundo em terra fria?

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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