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Poema

De quantas graças tinha a natureza

Luís Vaz de Camões · (De quantas graças tinha a natureza), p. 140

De quantas graças tinha a natureza Fez hum belo e riquissimo tesouro; E com rubis e rosas, neve e ouro, Formou sublime e angelica belleza. Poz na boca os rubis, e na pureza Do belo rosto as rosas, por quem mouro; No cabelo o valor do metal louro; No peito a neve, em que a alma tenho acesa. Mas nos olhos mostrou quanto podia, E fez delles hum sol, onde se apura A luz mais clara que a do claro dia. Em fim, Senhora, em vossa compostura, Ela a apurar chegou quanto sabia De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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