De frescas belvederes rodeadas
Luís Vaz de Camões · (De frescas belvederes rodeadas), p. 176
De frescas belvederes rodeadas
Estão as puras águas desta fonte;
Formosas Ninfas lhes estão defronte,
A vencer e a matar acostumadas.
Andão contra Cupido levantadas
As suas graças, que não há quem conte:
D'outro vale esquecidas, d'outro monte,
A vida passão neste socegadas.
O seu poder juntou, sua valia
Amor, ja não sofrendo este desprêzo,
Somente por se ver delas vingado;
Mas, vendo-as, entendeo que não podia
De ser morto livrar-se, ou de ser prêzo,
E ficou-se com elas desarmado.
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
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