De cá, donde somente o imaginar-vos
Luís Vaz de Camões · (De cá, donde somente o imaginar-vos), p. 133
De cá, donde somente o imaginar-vos
A rigorosa ausencia me consente,
Sobre as azas de Amor, ousadamente
O mal soffrido esprito vai buscar-vos.
E se não receara de abrazar-vos
Nas chamas que por vossa causa sente,
Lá ficara comvosco e, vós presente,
Aprendera de vós a contentar-vos.
Mas, pois que estar ausente lhe he forçado,
Por senhora, de cá, vos reconhece,
Aos pés de imagens vossas inclinado.
E pois vêdes a fé que vos offrece,
Ponde os olhos, de lá, no seu cuidado,
E dar-lhe-heis inda mais do que merece.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
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