De amor escrevo, de amor trato e vivo
Luís Vaz de Camões · (De amor escrevo, de amor trato e vivo), p. 126
De amor escrevo, de amor trato e vivo;
De amor me nasce amar sem ser amado;
De tudo se descuida o meu cuidado,
Quanto não seja ser de amor captivo:
De amor que a lugar alto voe altivo,
E funde a glória sua em ser ousado;
Que se veja melhor purificado
No imenso resplandor de hum raio esquivo.
Mas ai que tanto amor só pena alcança!
Mais constante ela, e ele mais constante,
De seu triumpho cada qual só trata.
Nada, em fim, me aproveita; que a esperança,
Se anima alguma vez a hum triste amante,
Ao perto vivifica, ao longe mata.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
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