Como quando do mar tempestuoso
Luís Vaz de Camões · (Como quando do mar tempestuoso), p. 115
Como quando do mar tempestuoso
O marinheiro todo trabalhado,
De um naufrágio cruel sahindo a nado,
Só de ouvir falar nele está medroso:
Firme jura que o vê-lo bonançoso
Do seu lar o não tire socegado;
Mas esquecido ja do horror passado,
Dele a fiar se torna cobiçoso:
Assi, Senhora, eu que da tormenta
De vossa vista fujo, por salvar-me,
Jurando de não mais em outra ver-me;
Com a alma que de vós nunca se ausenta,
Me tórno, por cobiça de ganhar-me,
Onde estive tão perto de perder-me.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
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