Ditos

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Poema

Como podes (oh cego pecador!)

Luís Vaz de Camões · (Como podes (oh cego peccador!)), p. 192

Como podes (oh cego pecador!) Estar em teus errores tão isento, Sabendo que esta vida he um momento, Se comparada com a eterna for? Não cuides tu que o justo Julgador Deixará tuas culpas sem tormento, Nem que passando vai o tempo lento Do dia de horrendíssimo pavor. Não gastes horas, dias, mezes, anos, Em seguir de teus damnos a amisade De que despois resultão mores danos. E pois de teus enganos a verdade Conheces, deixa ja tantos enganos, Pedindo a Deos perdão com humildade.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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