Ditos

As palavras para cada ocasião.

Poema

Como fizeste, ó Porcia, tal ferida?

Luís Vaz de Camões · (Como fizeste, ó Porcia, tal ferida?), p. 105

Como fizeste, ó Porcia, tal ferida? Foi voluntaria, ou foi por innocencia? He que Amor fazer só quiz exp'riencia Se podia eu soffrer tirar-me a vida. E com teu próprio sangue te convida A que faças á morte resistencia? He que costume faço da paciencia, Porque o temor morrer me não impida. Pois porque estás comendo fogo ardente, Se a ferro te costumas? He que ordena Amor que morra, e pene juntamente. E tẽes a dor do ferro por pequena? Si; que a dor costumada não se sente; E não quero eu a morte sem a pena.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

Partilhar

Mais poemas de Luís Vaz de Camões

Sabes mais sobre isto?

Se conheces outra versão, se dizem de outra maneira na tua terra, ou se encontraste um erro, diz. É assim que isto melhora.

Só publicamos depois de ler. Não guardamos o teu endereço de IP, só uma impressão digital dele para travar abuso.