Chara minha inimiga, em cuja mão
Luís Vaz de Camões · (Chara minha inimiga, em cuja mão), p. 86
Chara minha inimiga, em cuja mão
Poz meus contentamentos a ventura,
Faltou-te a ti na terra sepultura,
Porque me falte a mi consolação.
Eternamente as águas lograrão
A tua peregrina formosura:
Mas em quanto me a mim a vida dura,
Sempre viva em minha alma te acharão.
E se meus rudos versos podem tanto,
Que possão prometer-te longa história
De aquelle amor tão puro e verdadeiro;
Celebrada serás sempre em meu canto:
Porque em quanto no mundo houver memória,
Será a minha escriptura o teu letreiro.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
Mais poemas de Luís Vaz de Camões
Sabes mais sobre isto?
Se conheces outra versão, se dizem de outra maneira na tua terra, ou se encontraste um erro, diz. É assim que isto melhora.