Ditos

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Poema

Cá nesta Babylonia donde mana

Luís Vaz de Camões · (Cá nesta Babylonia donde mana), p. 172

Cá nesta Babylonia donde mana Materia a quanto mal o mundo cria; Cá donde o puro Amor não tẽe valia; Que a Mãe, que manda mais, tudo profana; Cá donde o mal se afina, o bem se dana, E pode mais que a honra a tyrannia; Cá donde a errada e cega Monarchia Cuida que hum nome vão a Deos engana; Cá neste labirinto onde a Nobreza, O Valor e o Saber pedindo vão Ás portas da Cobiça e da Vileza; Cá neste escuro caos de confusão Cumprindo o curso estou da natureza. Vê se me esquecerei de ti, Sião!

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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