Busque Amor novas artes, novo engenho
Luís Vaz de Camões · (Busque Amor novas artes, novo engenho), p. 82
Busque Amor novas artes, novo engenho
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Pois mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Pois não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas com quanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor hum mal, que mata e não se vê.
Que dias ha que na alma me tẽe posto
Hum não sei que, que nasce não sei onde;
Vem não sei como; e doe não sei porque.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
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