Brandas águas do Tejo que, passando
Luís Vaz de Camões · (Brandas águas do Tejo que, passando), p. 129
Brandas águas do Tejo que, passando
Por estes verdes campos que regais,
Plantas, hervas, e flores, e animais,
Pastores, Ninfas, ides alegrando;
Não sei, (ah doces águas!) não sei quando
Vos tornarei a ver; que mágoas tais,
Vendo como vos deixo, me causais,
Que de tornar ja vou desconfiando.
Ordenou o destino, desejoso
De converter meus gostos em pezares,
Partida que me vai custando tanto.
Saudoso de vós, dele queixoso,
Encherei de suspiros outros ares,
Turbarei outras águas com meu pranto.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
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