Ditos

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Poema

Ar, que de meus suspiros vejo cheio

Luís Vaz de Camões · (Ar, que de meus suspiros vejo cheio), p. 132

Ar, que de meus suspiros vejo cheio; Terra, cansada ja com meu tormento; Agua, que com mil lágrimas sustento; Fogo, que mais acendo no meu seio; Em paz estais em mim; e assi o creio, Sem esse ser o vosso próprio intento; Pois em dor onde falta o soffrimento, A vida se sostem por vosso meio. Ai imiga Fortuna! ai vingativo Amor! a que discursos por vós venho, Sem nunca vos mover com minha mágoa! Se me quereis matar, para que vivo? E como vivo, se contrarios tenho Fogo, Fortuna, Amor, Ar, Terra e Água?

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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