Aquela que, de pura castidade
Luís Vaz de Camões · (Aquella que, de pura castidade), p. 122
Aquella que, de pura castidade,
De si mesma tomou cruel vingança
Por huma breve e subita mudança
Contrária á sua honra e qualidade;
Venceo á formosura a honestidade,
Venceo no fim da vida a esperança,
Porque ficasse viva tal lembrança,
Tal amor, tanta fé, tanta verdade.
De si, da gente e do mundo esquecida,
Ferio com duro ferro o brando peito,
Banhando em sangue a fôrça do tyrano.
Oh ousadia estranha! estranho feito!
Que dando breve morte ao corpo humano,
Tenha sua memória larga vida!
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
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