Ditos

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Poema

Aquela fera humana que enriquece

Luís Vaz de Camões · (Aquella fera humana que enriquece), p. 112

Aquella fera humana que enriquece A sua presunçosa tyrannia Destas minhas entranhas, onde cria Amor hum mal, que falta quando crece; Se nella o Céu mostrou (como parece) Quanto mostrar ao mundo pretendia, Porque de minha vida se injuria? Porque de minha morte se enobrece? Ora, em fim, sublimai vossa victoria, Senhora, com vencer-me e captivar-me: Fazei dela no mundo larga história. Pois, por mais que vos veja atormentar-me, Ja me fico logrando desta glória De ver que tendes tanta de matar-me.

Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte

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