Amor, que em sonhos vãos do pensamento
Luís Vaz de Camões · (Amor, que em sonhos vãos do pensamento), p. 179
Amor, que em sonhos vãos do pensamento
Paga o zêlo maior de seu cuidado,
Em toda condição, em todo estado,
Tributario me fez de seu tormento.
Eu sirvo, eu canso; e o grão merecimento
De quanto tenho a Amor sacrificado,
Nas mãos da ingratidão despedaçado
Por prêza vai do eterno esquecimento.
Mas quando muito, em fim, cresça o perigo,
A que perpetuamente me condena
Amor, que amor não he, mas inimigo;
Tenho hum grande descanso em minha pena,
Que a glória do querer, que tanto sigo,
Não pode ser co'os males mais pequena.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
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