Ah minha Dinamene! assi deixaste
Luís Vaz de Camões · (Ah, minha Dinamene assi deixaste), p. 160
Ah minha Dinamene! assi deixaste
Quem nunca deixar pôde de querer-te!
Que ja, Nympha gentil, não possa ver-te!
Que tão veloz a vida desprezaste!
Como por tempo eterno te apartaste
De quem tão longe andava de perder-te?
Puderão essas ágoas defender-te
Que não visses quem tanto magoaste?
Nem somente fallar-te a dura morte
Me deixou, qu'apressada o negro manto
Lançar sobre os teus olhos consentiste.
Oh mar! oh céu! oh minha escura sorte!
Qual vida perderei que valha tanto,
Se inda tenho por pouco o viver triste?
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
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