Agora toma a espada, agora a pena
Luís Vaz de Camões · (Agora toma a espada, agora a pena), p. 171
Agora toma a espada, agora a pena,
Estacio nosso, em ambas celebrado,
Sendo, ou no salso mar de Marte amado,
Ou n'água doce amante da Camena.
Cysne sonoro por ribeira amena
De mi para cantar-te he cobiçado;
Porque não podes tu ser bem cantado
De ruda frauta, nem de agreste avena.
Se eu, que a pena tomei, tomei a espada,
Para poder jogar licença tenho
Desta alta influïção de dous Planetas;
Com uma e outra luz deles lograda,
Tu com pujante braço, ardente engenho,
Serás pharo a Soldados e a Poetas.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
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