A Morte, que da vida o nó desata
Luís Vaz de Camões · (A Morte, que da vida o nó desata), p. 142
A Morte, que da vida o nó desata,
Os nós, que dá o Amor, cortar quizera
Co'a ausencia, que he sobre ele espada fera,
E co'o tempo, que tudo desbarata.
Duas contrárias, que huma a outra mata,
A Morte contra Amor junta e altera;
Huma, Razão contra a Fortuna austera;
Outra, contra a Razão Fortuna ingrata.
Mas mostre a sua imperial potencia
A Morte em apartar de hum corpo a alma,
O Amor n'hum corpo duas almas una;
Para que assi triumphante leve a palma
Da Morte Amor a grão pesar da ausencia,
Do tempo, da Razão, e da Fortuna.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
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