Pior Velhice
Florbela Espanca · Livro de Mágoas (1919), p. 89
Sou velha e triste. Nunca o alvorecer
Dum riso são andou na minha boca!
Gritando que me acudam, em voz rouca,
Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!
A Vida que ao nascer enfeita e touca
D'alvas rosas, a fronte da mulher,
Na minha fronte mística de louca
Martírios só poisou a emurchecer!
E dizem que sou nova... A mocidade
Estará só, então, na nossa idade,
Ou está em nós e em nosso peito mora?!...
Tenho a pior velhice, a que é mais triste,
Aquela onde nem sequer existe
Lembrança de ter sido nova... outrora...
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.
Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!
Pior Velhice, de Florbela EspancaVerificada
Tenho a pior velhice, a que é mais triste, Aquela onde nem sequer existe Lembrança de ter sido nova... outrora...
Pior Velhice, de Florbela EspancaVerificada
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