Cristo morreu há mil e tantos anos
Filinto Elísio · (Christo morreu ha mil e tantos annos), p. 214
Poesia satírica de linguagem explícita, publicada como obra de época. Esta página não mostra publicidade e os versos dela não entram nas sugestões gerais do site.
Cristo morreu há mil e tantos anos;
Foi descido da cruz, logo enterrado;
E ainda assim de pedir não tem cessado
Para o sepulchro d′ele os franciscanos!
Tornou a resurgir d′entre os humanos;
Subiu da terra ao céo, lá está sentado;
E à saúde d′ele sepultado
Comem à nossa custa estes maganos:
Cuidam os que lhes dão a sua esmola
Que ela se gasta na função mais pia...
Quanto vos enganais, oh gente tola!
O altar mór com dous côtos se alumia:
E o fradinho co′a puta, que o consola.
Gasta de noute o que lhe dais de dia.
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
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