Ulisses
Fernando Pessoa · Mensagem (1934), p. 23
O mytho é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mytho brilhante e mudo
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundal-a decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
Grafia atualizada a partir da primeira edição. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, que é o que quase nenhum site dá.
O mito é o nada que é tudo.
Ulisses, de Fernando PessoaVerificada
O mesmo sol que abre os céus É um mito brilhante e mudo
Ulisses, de Fernando PessoaVerificada
Assim a lenda se escorre A entrar na realidade,
Ulisses, de Fernando PessoaVerificada
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