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Poema

Fernão de Magalhães

Fernando Pessoa, em Mensagem (1934)

No valle clareia uma fogueira. Uma dança sacode a terra inteira. E sombras disformes e descompostas Em clarões negros do valle vão Subitamente pelas encostas, Indo perder-se na escuridão. De quem é a dança que a noite aterra? São os Titans, os filhos da Terra, Que dançam da morte do marinheiro Que quiz cingir o materno vulto — Cingil-o, dos homens, o primeiro —, Na praia ao longe por fim sepulto. Dançam, nem sabem que a alma ousada Do morto ainda commanda a armada, Pulso sem corpo ao leme a guiar As naus no resto do fim do espaço: Que até ausente soube cercar A terra inteira com seu abraço. Violou a Terra. Mas eles não O sabem, e dançam na solidão; E sombras disformes e descompostas, Indo perder-se nos horizontes, Galgam do valle pelas encostas Dos mudos montes.

Grafia atualizada a partir da primeira edição.

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Frases tiradas deste poema

Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, que é o que quase nenhum site dá.

No vale clareia uma fogueira. Uma dança sacode a terra inteira.

Fernão de Magalhães, de Fernando PessoaVerificada

Postal

São os Titans, os filhos da Terra, Que dançam da morte do marinheiro

Fernão de Magalhães, de Fernando PessoaVerificada

Postal

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