Antemanhã
Fernando Pessoa · Mensagem (1934), p. 95
O mostrengo que está no fim do mar
Veio das trevas a procurar
A madrugada do novo dia,
Do novo dia sem acabar;
E disse, «Quem é que dorme a lembrar
Que desvendou o Segundo Mundo,
Nem o Terceiro quer desvendar?»
E o som na treva de ele rodar
Faz mau o sono, triste o sonhar.
Rodou e foi-se o mostrengo servo
Que seu senhor veio aqui buscar.
Que veio aqui seu senhor chamar —
Chamar Aquele que está dormindo
E foi outrora Senhor do Mar.
Grafia atualizada a partir da edição de origem, guardando as formas que são do autor. · Fonte
Frases tiradas deste poema
Estes versos andam a circular sozinhos. Aqui ficam com o poema inteiro por trás, e com a fonte à vista.
A madrugada do novo dia, Do novo dia sem acabar;
Antemanhã, de Fernando PessoaVerificada
Faz mau o sono, triste o sonhar.
Antemanhã, de Fernando PessoaVerificada
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